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Sofia Menz
  Nome: Sofia Tianã Soares Menz
Profissão: Fisioterapeuta
E-mail: fisio_sofiamenz@yahoo.com.br
 
 
 
A Fisioterapia para Gestantes
 

Olá!!!
Neste mês trago um assunto que todos, diretamente ou não, convivem com ele – A GESTANTE. A idéia é mostrar como a fisioterapia pode contribuir neste momento na vida da mulher. Esse assunto é muito amplo, assim irei abordá-lo de forma resumida, mas estou pronta para responder suas dúvidas através de e-mails. Boa leitura!

A gravidez é o início de uma modificação corporal onde o útero inicia um processo de expansão que ocasiona aumento das curvaturas ósseas, principalmente, a curvatura lombar e o complexo ósseo do quadril. A coluna vai sofrer o impacto do peso anterior desenvolvido pela "barriga em expansão", que levará a uma desarmonia das cadeias musculares. A cadeia muscular anterior vai sofrer um processo de estiramento, enquanto que, a cadeia posterior ficará sob estresse de tensão muscular constante, essas modificações podem determinar lassidão dos ligamentos vertebrais bem como, rotação das vértebras e, por conseguinte, imobilização dos nervos.
Oorrem modificações na circulação venosa, ou seja, o retorno sangüíneo vai sendo prejudicado progressivamente ao longo dos noves meses. O peso da barriga faz com que os vasos sejam comprimidos, dificultando o retorno e propiciando edemas distais (peri-maleolares) e assim, formação de varizes devido a estase venosa formada.
Não várias as modificações anatômicas que ocorrem durante o período gestacional, modificações estas que devem ser levadas em conta para realizar qualquer atividade física com a gestante. A parede abdominal é a primeira a sentir as modificações: o útero tem seu eixo vertical e exige dela uma sustentação total, deslocando o centro de gravidade da mulher, o que resulta em uma rotação pélvica e uma progressiva lordose lombar. A estabilidade acontece através de um trabalho maior da musculatura e ligamentos da coluna vertebral. À medida que o volume da barriga aumenta, mais a postura da gestante se modifica. Com a barriga aumentada, para não cair para frente, ela força o glúteo para trás – "arrebitando o bumbum", o que ocasiona dores e desconfortos nas costas e na região lombar. Em algumas gestantes, existe uma separação nos músculos do abdômen, indo metade para cada lado, formando um "vergão" ou linha no meio do abdômen. Esses "vergões" podem ter coloração que varia do vermelho ao azulado, dependendo de cada tipo de pele.
A cintura pélvica (o quadril) tem sua mobilidade articular aumentada em aproximadamente 60%, pois seus ossos, unidos por fibrocartilagens, sofrem diretamente a ação da relaxina (hormônio produzido para afrouxar os ligamentos pélvicos). O quadril aumenta seu tamanho para ampliar o espaço e abrigar o bebê, assim a gestante tem que voltar os pés para fora ao andar – Marcha Anserina (andar de pata).
O diafragma (músculo responsável pela atividade respiratória) fica pressionado pelo aumento uterino, dificultando a respiração da gestante, mas a natureza se encarrega de acertar isso, passando a gestante a respirar mais no peito do que no abdômen, no final da gestação. A respiração abdominal deve ser treinada para se ter os músculos do abdômen fortalecidos, oxigenando também o bebê e realizando o trabalho de relaxamento.
O estômago tem seu eixo modificado de vertical para horizontal, tornando o processo digestivo alterado e mantendo por mais tempo a presença de enzimas digestivas. Durante a gravidez, o estômago desloca-se para cima e para trás, para poder dar espaço para o bebê; isso ocasiona bastante mal-estar às gestantes, e para que sintam algum alívio devem comer pouco e várias vezes ao dia, além de evitar alimentos ácidos, fortes e condimentados, que possam dificultar ou tornar a digestão mais demorada.
As glândulas mamárias têm seu volume aumentado pela presença de leite, ocasionando uma maior solicitação dos músculos dorsais e peitorais, além de uma flexão anterior da coluna cervical aumentada, mas além de mudanças na postura, existe um desconforto em manter posições por muito tempo. Para que isso seja aliviado, a gestante deve alternar posturas e sempre que possível alongar-se ou simplesmente espreguiçar-se.
Entre outras modificações metabólicas e gerais que o organismo feminino sofre durante a gravidez, temos:
.....- Aumento no metabolismo basal (uma pessoa não grávida tem, em repouso, 70 a 80 batimentos cardíacos por minuto; já a gestante, os tem, em repouso, por volta de 80 e 90 batimentos por minuto em média. Isso já mostra que ela está em freqüente estado de "exercício", tendo todo o seu metabolismo alterado. Por isso, o cuidado deve ser intenso com relação à freqüência cardíaca, que não deve ultrapassar os 140 bpm durante a atividade física).
.....- Aquisição de gorduras (o ganho de gordura é um fator diferenciado para cada mulher, dependendo da tendência anterior, da dieta seguida, dos alimentos ingeridos, mas sempre vai existir. O ideal, segundo os médicos, é adquirir no máximo 10 quilos durante os nove meses, se possível, menos de um quilo por mês).
.....- Retenção hídrica e de sais minerais (os rins, devido a sua localização próxima ao diafragma, curvam-se para frente durante a inspiração – pegar o ar – e voltam ao normal durante a expiração – soltar o ar. Esses movimentos estimulam a eliminação da urina. Esses órgãos sofrem profundas modificações, de modo que essa eliminação fica alterada. Se a urina não for totalmente eliminada, podem ocorrer os edemas – inchaços – que tanto incomodam a mulher). O aumento líquido, que ocorre no tecido e nos vasos sangüíneos e linfáticos, tem uma considerável alteração de volume (inchaços constantes).
.....- Declínio da atividade do trato gastrointestinal (as gestantes comumente se queixam de dificuldade no evacuar, presença de gases e regurgitamento após as refeições; isso acontece pela alteração na posição dos intestinos).
.....- Aumento da capacidade inspiratória e queda na reserva expiratória, cerca de 15%. Por isso, durante os exercícios respiratórios, deve-se sempre pedir para que a gestante solte o ar por mais tempo do que respire, para eliminar incômodos como tonturas e dores de cabeça.
.....- A temperatura corporal materna está relacionada diretamente com a temperatura do feto e pode ser alterada durante as atividades físicas. Em função disso, o profissional deve ser cuidadoso, não só, com a temperatura da água, do ambiente, mas também com o tipo de atividade executada nos dias mais quentes.
.....- A musculatura, impregnada de líquido, tem seus ligamentos e tendões afrouxados, os quais se tornam incapazes de funcionar como sustentadores. Todos os movimentos devem ser cuidadosos, pois existe um risco maior de lesões nas articulações.
.....- Os tecidos cartilaginosos e ósseos sofrem também modificações, mais acentuadas, na cartilagem da sínfise púbica, nas articulações sacro-ilíacas e nos discos intervertebrais, que recebem carga aumentada durante todo o processo gravídico. Os ossos estão bem mais frágeis e com seus ligamentos mais frouxos, por isso, não se deve trabalhar com carga exagerada nos exercícios, para não aumentar os riscos de lesões.
A fisioterapia obstétrica é a mais nova área da saúde disponível para as gestantes que querem se preparar para uma gestação e pós-parto saudáveis. O objetivo é de cuidar do corpo da mulher (com as transformações fisiológicas, estruturais e emocionais) nos nove meses, oferecendo uma melhor qualidade de vida nesse período tão importante na vida da mulher.
O fisioterapeuta pode elaborar um plano terapêutico específico e individual para melhorar a resistência física e flexibilidade no pré-parto e pós-parto, para as alterações fisiológicas e estruturais de cada trimestre, respeitando as possíveis intercorrências na gestação, como, por exemplo, diabetes e cardiopatias e as necessidades de cada gestante. Portanto, o fisioterapeuta pode atuar desde a concepção até o pós-parto, orientando quanto às dores e desconfortos gerados pela mudança estrutural na gestação. O ideal é que o profissional atue antes mesmo de aparecer algum incômodo, prevenindo.
A atividade física na gestação é extremamente importante, porque relaxa e aumenta a disposição física para o dia-a-dia e minimiza os desconfortos físicos da gestação. Os exercícios na terapia devem sempre respeitar a saúde materno-fetal favorecendo o fluxo sanguíneo para o bebê e controlando a freqüência cardíaca e temperatura corporal da gestante.
A terapia pode contar com os seguintes objetivos:
.....- Melhorar o condicionamento físico através de alongamentos e fortalecimentos específicos principalmente da musculatura do assoalho pélvico (principalmente músculos perineais), músculos paravertebrais, abdômen e braços entre outros, preparando a mulher para as mudanças corporais durante a gestação, para o parto e pós-parto;
.....- Melhorar a consciência respiratória e consciência corporal;
.....- Minimizar e prevenir as dores dorsais e lombares, equilibrando a musculatura;
.....- Orientação postural, de como caminhar, dormir, sentar e uso de calçados para prevenir lesões articulares, visto que os ligamentos tornam-se frouxos para facilitar o parto normal;
.....- Técnicas de massagens relaxantes para auxiliar no relaxamento;
.....- Técnicas de massagem, como a drenagem linfática para ajudar a minimizar e prevenir edemas (inchaços) e transtornos circulatórios;
.....- Preparar a mama para lactação e orientação quanto à amamentação.
O fato da gestante se preparar para uma gravidez e pós-parto saudáveis, também facilita muito o trabalho de parto em todas as suas fases. Com uma melhor conscientização corporal a fisioterapia pode atuar durante o trabalho de parto através de técnicas de massagens, técnicas respiratórias e exercícios específicos para facilitar a descida do bebê através da pelve da parturiente e a dilatação, diminuindo assim o tempo do trabalho de parto.
No pós-parto a fisioterapia também pode auxiliar a mulher com os seguintes objetivos:
.....- Exercícios de alongamentos cervicais e membros superiores (compensando - uso excessivo do braço para amamentar o bebê e nos cuidados gerais) e alongamentos para músculos específicos, como os lombares;
.....- Exercícios para o assoalho pélvico, prevenindo prolapsos, incontinência urinária e proteção de músculos perineais (seja no pós-parto normal ou cesárea);
.....- Massagens relaxantes e orientações posturais para prevenir lesões articulares.
Enfim, a fisioterapia pode ajudar muito nas transformações corporais na gestação, no trabalho de parto e na recuperação pós-parto, trabalhando o corpo da mulher em busca do equilíbrio físico e emocional contribuindo para o nascimento de uma relação muito importante, mãe e filho (a).

 
Até breve,................
 
     
 
Sofia Menz
 
     
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